sábado, 9 de março de 2013

Cardeais examinam a portas fechadas finanças da Igreja

Cardeais estão reunidos desde a última segunda-feira para discutir temas polêmicos referentes à Igreja Católica

Os 151 cardeais reunidos ontem na Cidade do Vaticano para preparar o conclave examinaram a portas fechadas as controvertidas finanças da Santa Sé, num momento em que a imprensa italiana publica mais revelações quentes a respeito do escândalo Vatileaks. Os chamados príncipes da Igreja, entre os quais todos os 115 eleitores, após a chegada do vietnamita Jean-Baptiste Phan Minh Man, o único que faltava, examinaram a situação econômica da Cúria Romana. Em particular, atualizaram-se sobre o Instituto de Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano, núcleo de tensões internas que levaram ao chamado Vatileaks, o vazamento de cartas e documentos confidenciais do Papa à imprensa.

Os cardeais encarregados de três “ministérios” econômicos expuseram diante dos cardeais a situação das finanças do Estado, segundo informou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi. “Foram intervenções sintéticas e claras, segundo o próprio setor. Os cardeais estarão à disposição daqueles que quiserem mais informação e detalhes”, disse.

”Não posso dizer nada sobre o conteúdo das intervenções, só algo geral. Mas é óbvio que os cardeais podem falar entre eles deste argumento”, reconheceu Lombardi ao ser interrogado a respeito do Vatileaks.

Há três anos, a Justiça italiana abriu uma investigação judicial contra dois diretores do banco do Vaticano, que têm um patrimônio de cinco bilhões de euros, por violarem as leis italianas sobre a lavagem de dinheiro. Existe entre os cardeais um princípio de que há necessidade de uma maior transparência na gestão interna, marcada por intrigas, abusos de poder e tráfico de influência através de um lobby gay.

Para o vaticanólogo italiano Marco Politi, o escândalo acelerou a decisão de Bento XVI abdicar e pesa nos debates das reuniões cardinalícias atuais para a reforma da Cúria. “Vão traçar o perfil do homem que buscam, que deve ter a força para realizar a reforma”, sustenta Politi, autor do livro Joseph Ratzinger, crise de um papado.

Segundo meios de comunicação na Itália, os cardeais do país, ao que tudo indica, perderam a batalha por uma eleição rápida, sendo possível que a data do conclave deixe de ser anunciada nesta semana. “Ainda não foi fixada a data do conclave”, advertiu sorridente Lombardi durante a conversa diária com a imprensa. O debate e a votação para estabelecer a data da eleição do futuro papa “ainda não amadureceram”, explicou. Embora os influentes cardeais norte-americanos tenham aceitado manter silêncio diante da imprensa, como pediu elegantemente o Vaticano, e cancelado sua conversa diária com os jornalistas, dentro dos muros da sede da Igreja estão sendo abordados os temas centrais para o futuro do Catolicismo.

O Colégio Cardinalício concordou em seu conjunto em enviar um telegrama de pêsames pela morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, assinado pelo decano, o italiano Angelo Sodano, e enviado ao presidente em funções, Nicolás Maduro. (das agências de notícias)

ENTENDA A NOTÍCIA

Os cardeais decidiram levar o tempo que for necessário para analisar os graves problemas da Cúria romana, e por pressão dos prelados brasileiros e americanos exigem esclarecimentos dos escândalos e questões de governança antes da eleição do próximo pontífice

Fonte: O POVO on line